Probiótico Desenvolvido no Chile Pode Ajudar a Reduzir o Risco de Câncer Gástrico, Apontam Pesquisas

O câncer gástrico está entre os tipos de câncer mais frequentes e continua sendo uma importante causa de mortes em diversas regiões do mundo. Entre os principais fatores de risco conhecidos está a infecção pela bactéria Helicobacter pylori (H. pylori), responsável por inflamações crônicas na mucosa do estômago que, em alguns casos, podem evoluir para lesões mais graves.
Nesse cenário, uma pesquisa desenvolvida no Chile tem chamado a atenção da comunidade científica. O estudo resultou em um probiótico formulado para auxiliar no controle da infecção pela Helicobacter pylori, oferecendo uma estratégia complementar para a prevenção de doenças relacionadas à bactéria.
Embora os resultados iniciais sejam promissores, especialistas ressaltam que o produto não substitui o diagnóstico, o acompanhamento médico nem os tratamentos convencionais quando a infecção já está estabelecida.
Por que a Helicobacter pylori preocupa?
A Helicobacter pylori é uma bactéria que consegue sobreviver no ambiente ácido do estômago.
Estima-se que milhões de pessoas em todo o mundo convivam com ela, muitas vezes sem apresentar sintomas.
Em parte dos casos, porém, a infecção pode causar:
- Gastrite crônica;
- Úlceras gástricas e duodenais;
- Inflamação persistente da mucosa do estômago;
- Aumento do risco de câncer gástrico em algumas pessoas.
Vale destacar que nem toda pessoa infectada desenvolverá câncer. O risco depende de diversos fatores, incluindo genética, alimentação, tabagismo, consumo de álcool e características da própria bactéria.
A pesquisa desenvolvida no Chile
A inovação foi conduzida pela pesquisadora Dra. Apolinaria García Cancino, bioquímica, doutora em Ciências Biológicas e professora da Universidade de Concepción.
Durante mais de uma década, sua equipe estudou formas de reduzir a colonização da Helicobacter pylori utilizando microrganismos benéficos.
O resultado foi o desenvolvimento de um probiótico baseado na cepa Lactobacillus fermentum UCO-979C.
Como esse probiótico funciona?
Os pesquisadores observaram que essa cepa de bactéria benéfica apresenta características que podem contribuir para dificultar a permanência da H. pylori no estômago.
Entre os mecanismos estudados estão:
- Competição por espaço na mucosa gástrica;
- Produção de substâncias com atividade contra microrganismos;
- Modulação da resposta imunológica local;
- Contribuição para o equilíbrio da microbiota.
Esses efeitos podem ajudar a reduzir a colonização da bactéria, mas não significam que o probiótico elimine completamente a infecção.
O que mostraram os estudos?
Segundo os pesquisadores, ensaios clínicos realizados com voluntários apresentaram resultados encorajadores na redução da presença da Helicobacter pylori em determinados grupos.
Apesar disso, os próprios cientistas destacam que novas pesquisas são necessárias para confirmar a eficácia em populações maiores e estabelecer o papel do probiótico em diferentes contextos clínicos.
Probióticos não substituem o tratamento médico
Quando uma infecção por Helicobacter pylori é diagnosticada, o tratamento indicado normalmente envolve medicamentos específicos, incluindo antibióticos e medicamentos para reduzir a acidez do estômago, conforme orientação médica.
O probiótico estudado pode representar uma estratégia complementar, mas não substitui os tratamentos convencionais.
Probiótico e prebiótico: qual a diferença?
Muitas pessoas confundem esses dois termos.
Probióticos
São microrganismos vivos que, quando consumidos em quantidades adequadas, podem trazer benefícios para a saúde.
Podem ser encontrados em:
- Iogurtes;
- Kefir;
- Leites fermentados;
- Alguns suplementos.
Prebióticos
São fibras alimentares que servem de alimento para as bactérias benéficas já presentes no intestino.
Estão presentes em alimentos como:
- Banana;
- Aveia;
- Alho;
- Cebola;
- Aspargos;
- Alcachofra.
Como reduzir o risco de câncer gástrico?
Além do tratamento adequado da Helicobacter pylori quando indicado, especialistas recomendam hábitos que ajudam a proteger a saúde do estômago.
Entre eles:
- Não fumar;
- Limitar o consumo de bebidas alcoólicas;
- Manter uma alimentação rica em frutas, verduras e legumes;
- Reduzir alimentos muito salgados e ultraprocessados;
- Procurar atendimento médico em caso de sintomas persistentes, como dor abdominal, perda de peso inexplicada ou dificuldade para engolir.
Perguntas frequentes
O probiótico impede o câncer?
Não. As pesquisas investigam seu potencial para reduzir um fator de risco importante — a infecção pela Helicobacter pylori —, mas ele não previne nem trata o câncer por si só.
Quem tem Helicobacter pylori deve tomar esse probiótico?
A decisão deve ser tomada com orientação médica. O tratamento padrão da infecção continua sendo baseado em medicamentos específicos quando indicados.
Todo mundo com Helicobacter pylori terá câncer?
Não. A maioria das pessoas infectadas nunca desenvolverá câncer gástrico. O risco depende de diversos fatores individuais.
Vale a pena consumir probióticos?
Probióticos podem oferecer benefícios em algumas situações específicas, mas seus efeitos variam conforme a cepa utilizada e o objetivo do tratamento. O uso deve ser orientado por um profissional de saúde quando necessário.
Conclusão
A pesquisa chilena representa um avanço interessante no estudo da prevenção de doenças relacionadas à Helicobacter pylori. O desenvolvimento de um probiótico específico amplia as possibilidades de investigação sobre estratégias complementares para proteger a saúde do estômago.
Embora os resultados sejam promissores, ainda são necessários novos estudos para confirmar seus benefícios em diferentes populações e definir seu papel na prática clínica. Enquanto isso, manter hábitos saudáveis, realizar acompanhamento médico e tratar adequadamente a infecção quando diagnosticada continuam sendo as medidas mais importantes para reduzir o risco de câncer gástrico.

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